Adolfo Rodrigues da Costa Portela

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Adolfo Rodrigues da Costa Portela

Mensagem  Belar em Sab Jan 16 2010, 05:39



Foi poeta, contista, ensaísta, músico e sonhador.
Adolfo Rodrigues da Costa Portela nasceu no lugar de Além da Ponte, freguesia de Recardães, concelho de Águeda em 16 de Agosto de 1866. Filho de José Rodrigues Pinto e de Maria de Jesus e Silva. Licenciou-se em direito na universidade de Coimbra. Casou em 26 de Abril de 1890 com Isabel Joaquina Robalo natural do Fundão.

Além de escritor, advogou durante alguns anos, foi recebedor em Águeda e no Fundão. Adolfo Portela foi um romântico, um lírico na sua escrita. Compositor e guitarrista afamado, das suas composições, destaca-se a comédia lírica “A NOIVA DE JOÃO” Monárquico convicto, acabou ostracizado devido às suas convicções políticas. Faleceu no Fundão, em 1923 com 57 anos.
Foi sepultado no Fundão no túmulo da família de sua mulher. Acompanhava desde jovem, enquanto estudante em Coimbra, o seu irmão Dr. António Rodrigues Pinto que se fixou 1879 no Fundão como médico cirurgião do partido do Fundão. Frequentava a casa dos senhores: Matheus Isidoro e de D. Maria do Rozario Roballo no (Terreiro de Cima). Os pais daquela que viera a ser a sua mulher. Adolfo Portela, Apaixonara-se pela jovem, mas também pela vila do Fundão. Que descreveu e cantou como poucos. ― Situado entre altas serras, castanheiros afectuosos e corações amoráveis. Desabafando: … E a mim, que sou um filho adoptivo desta terra, fallarem-me do Fundão é fallarem-me d’ um pedaço da minha alma…

…doce cantinho de terra, farto e abençoado, onde cada pomar é um jardim e os jardins cobrem toda a terra… e cantando ainda:

Cova da Beira tão linda
Nem rosa num roseiral
Verde engaste de uma estrela
Devesa de Portugal

Por cada casal da serra
Ergue-se a Deus um altar.
Em cada palmo de terra

Cresce um formoso pomar

Verdes campos verdes flores
Caminhos velhos em flor
Choram as águas nas fontes
E as águas falam d’amor

Pão na tulha com fartura
Vinho novo no tonel
Foi Deus quem fez a pintura
Bendito seja o painel.

O seu humanismo levou-o com um grupo de amigos a fundar a “Cantina dos Pobres” em 1912.
Organizou vários grupos de teatro, levando à cena peças de teatro da sua autoria baseadas em costumes da região, com muito êxito não só no Fundão como na região. Por sua iniciativa levou a representar na sua terra Águeda em Castelo Branco, e Alpedrinha. “ A Noiva do João”
Estivera em cena três dias em qualquer uma destas terras, onde foi muito aplaudido. Fizera ainda outras representações como operetas: “A festa do Pão” “ O Tambor da Folia” e a Ritinha do Alcambar” com grande êxito. Deixou-nos ainda outras obras de literatura e poéticas: Contos e Baladas, Boémia Lírica, Pela África e Sol-posto, O País do Luar, Por bem de Águeda, Orvalhadas e Jornal do Coração. Em 1912 os primeiros ensaios do grupo coral, Cova da Beira. No desporto construiu um campo de ténis na sua propriedade, no Alcambar ainda hoje é conhecido o local como o ténis, bem perto do Fundão.

Colabora ainda em vários jornais no Fundão em Águeda, e no “Almaanch da Beira”, Por iniciativa de: José dos Santos Barata e José Pessoa, onde colaboram para além de: Adolfo Portela, Dias Chorão, Augusto Cardoso e Manuel dos Santos Marques. De onde retiramos mais uma pequena passagem da escrita de Adolfo Portela, ― Quando d’antes, nos bancos da escola, á simples inspecção do nosso mappa topographico, os meus olhos se poisavam indifferentes sobre os signaes gráphicos d’este paiz da Beira-Baixa, eu via-o apertado entre altíssimas serras, e fazia d’elle, ao fundo das montanhas, a ideia d’uma espécie de Boca do Inferno, onde haveria uma porta larga, caverna ou gruta mysteriosa e sem fim, que iria dar ao paiz de Pero Botelho… O valle do Fundão tinha, para a minha pobre imaginação de menino d’escola, um aspecto tragicamente agreste, com sêrros e arvores collossaes, cujos braços gigantes seriam bem dignos de ser gravados às mãos artísticas de Gustve Doré na grande obra de Dante―. Mais adiante diz: ― Emfim, terra desconhecida como era para mim, o Fundão tinha não sei quê d’ horrível e de trágico que me infundia medo, principalmente quando topava na minha aldeia com os almocreves d’esses sítios, chamuscados do sol das jornadas, e que lá iam a vender os seus alqueires d’azeite e os seus sacos de castanha longal… ― E ainda mais adiante diz: ― Mas lá veio um dia em que, aos baldões da fortuna, fui poizar n’essa linda terra, como uma ave d’arribação que vai em cata do seu paiz de sol. O coito das lendas sombrias e das tragédias politicas, esse Fundão negro que me entrara na alma de braço dado a Ponson du Terraill, com um fúnebre cortejo de sangoeira e tripas ao sol, transmudou-se rápido, aos meus olhos de simples forasteiro, n’um doce cantinho de terra, farto e abençoado, onde cada pomar é um jardim e onde os jardins cobrem toda a terra. ―
Depois de explorar a Serra da Gardunha, virou-se para a Serra da Estrela, de onde envia para o jornal da sua terra crónicas “ Ares da Serra” repletas de humor e realismo.

O primeiro grande Caminheiro da Gardunha, na opinião: de Maria de Lourdes Brázio Tavares Monteiro autora de: “A Mais Honrada Aldeia do Reino” uma obra de referencia que dedicou ao Fundão.

Adolfo Portela figura na toponímia do Fundão com o seu nome numa das ruas mais emblemáticas da cidade, onde fica a cantina dos pobres que ajudou a construir. Na sua terra natal Águeda, tem: Escola Secundária de Adolfo Portela, o Centro de Formação Intermunicipal Adolfo Portela. Também uma das ruas de Águeda tem o seu nome.

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